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Hoje

Hoje acordei meio poeta
Sei lá meio pateta
Sem meta
Seguindo a seta

Hoje acordei meio maluca
Sei lá meio lelé da cuca
Sem nuca
Seguindo a muvuca

Hoje acordei meio irritada
Sei lá meio armada
Sem nada
Seguindo a estrada

Hoje acordei meio assim
Sei lá meio ruim
Sem mim
Seguindo o fim

O nada

Nada faz sentido aqui onde estou. Há só uma cor, que não tem cor. Não há melodia nem cantigas, só silêncio. Ouve-se apenas o ruído das minhas lágrimas que escorrem na minha face. Aqui a dor é mais intensa. A alma mais sensível. O vazio cerca meu corpo, aprisiona sentimentos e tortura a mente. Ar aqui não falta nunca. O que falta é a vontade de respirar; de viver. Felicidade não existe aqui, nem mesmo nos dicionários. É só algo que existia há muito tempo atrás. Não se pode pronunciar a palavra amor, a punição para quem o faz é morrer de ilusão. E quem o sente? Morre também, só que de solidão. Morri.

Interrogações

Da vida o que me restou?
O que dela se foi?
Não tenho muito. Mas quem não sabe viver com pouco nunca aprendeu a viver.
Que irônia! Será que aprendi?
Vivo por instinto. Escapando do perigo. Aceitando carinho de mãos que se oferecem para dá-lo.
Viver é só isso?
Não obtenho respostas.

Os tempos

Demorei para pôr as idéias em ordem e descobrir o que queria. 
Tempo de mais, talvéz, para a sua paciência. 
Eras rápido em suas convicções e ações. 
Eu não pude acompanhá-lo. 
Parei no meu tempo e o vi seguir adiante sem nem ao menos olhar para atrás.