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Incolor

Em alguns momentos a vida perde a cor
Mas o defeito está nos olhos de quem vê
No coração de quem sente
Pois é por dentro que está incolor
A tinta colorida da alma desbotou
E virou simplesmente um vapor
Que saiu voando através do vento

Humanidade

Ser humano é admitir fraqueza
É olhar para trás e se arrepender
É levar a vida com franqueza
É encarar de frente, não se esconder 

Ser humano é rir de si mesmo e sozinho
É querer mais da nossa vida
É sentir pelo outro carinho
É tentar esquecer velhas feridas

Ser humano é falar mais que ouvir
É errar mesmo que sem querer
É fazer incríveis planos e desistir
É acima de tudo ainda crer

Ser humano é estar apaixonado
É querer estar junto de alguém
É gostar de um abraço apertado
É sempre desejar ir mais além

Ser humano é ser por vezes egoísta
É tentar viver nesse mundo louco
É exigir sempre alguma pista
É ser muito e ao mesmo tempo pouco

Inexplicável

 Não quero falar de amar
Pois as palavras se perdem 
E começam a tropeçar

Caem e depois se erguem
Não admitem nunca falhar
Talvez nunca se entreguem
 
Palavras são tão teimosas!
Parecem não desistir
Montam suas estratégias ardilosas

Para o amor resumir
Porém ele é mais esperto
Nunca vai se deixar descobrir

Liberdade

Ás vezes estar preso é estar livre
Pois não há corrente que prive
A alma de voar

Voa e vai por aí a encontrar
Mundos novos desvendar
Segredos guardados descobrir

A vida em certas horas tenta interferir
Quer cortar suas asas e a tolir
Mas mesmo sem asas flutuará

Palavras Soltas

Ouço palavras ao longe
Ventos as trazem no espaço
O desejo nelas se esconde
Não o amor cada vez mais escasso

De longe o ouvido capta
Palavras doces e apaixonantes
Mas em sua essência exacta
São loucas e alucinantes

Canções suaves no tempo voam
E mais perto vão chegando
As mentiras aos poucos alcançam
Aqueles que estavam apenas escutando

Palavras são tão superficiais!
Mudam conforme a corrente do ar.
Hoje são inícios, amanhã finais
Que podem nunca se realizar.

Momento

Meus ouvidos estão cansados
Minha língua bem afiada
Meus nervos bastante abalados
Meu pranto agora sufocado

Meus pés estão paralisados
Meu coração permanece angustiado
Meus olhos mal focados
Meu corpo no lugar congelado

Meus pensamentos estão afectados
Meu sonho hoje despedaçado
Meus dentes rangem trincados
Meu quase amor já acabado!

Apaixonar-se

 Por vezes guardado no peito
Ainda não descoberto
Mas acha-se sempre um jeito
Para no fim estar desperto

Emoções circulam no ar
Rondam pela a atmosfera
A novidade do apaixonar
Sempre está a nossa espera

Ali na esquina nos sondando,
Na rua nos seguindo.
Em cada passo caminhando,
Suas vítimas perseguindo.

Chegamos a ouvir seus passos
E por medo queremos fugir
Mas envolvidos em seus laços
Já não mais podemos resistir.