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Perguntas

 Há perguntas que não sei responder agora.
Há respostas que eu nunca terei.
Algumas dúvidas continuarão a me atormentar e eu não poderei mudar esse fato.
Não posso retroceder ou voltar para interrogar o passado.
Não posso fazer o tempo parar no presente para me responder.
E o futuro sempre se finge de surdo diante das minhas indagações.
Entretanto saber todas as respostas é não dar espaço ao erro ou a dúvida.
E não errar é deixar de ser humano para ser algo que desconheço.
Gosto de ser humana, talvez porque assim terei sempre uma desculpa para dar.
Pensando bem, as vezes não é tão necessário saber as respostas.
Há até aquelas vezes em que se sabe, mas que não se quer saber.

Segurança

 Andar numa estrada asfaltada com um caminho pré determinado é fácil.
Nos sentimos seguros numa rota pré estipulada.
Mas e quando o asfalto acaba?
Quando precisamos viver o desconhecido?
Só porque não há asfalto não quer dizer que não seja um caminho bom.
Não ter asfalto só quer dizer que muitos não tiveram coragem de trilhar aquele caminho e nem de indicá-lo para ninguém.
Talvez o medo do desconhecido e do inexplicável tenha privado muitos de andar por ele.
Ainda bem que ainda existem valentes.
Pessoas ousadas capazes de colocar os pés na areia e empoeirar as roupas.
E que apesar de ser um caminho mais difícil  e com menos companhia não se arrependem, pois seus olhos puderam contemplar o que nem todos puderam ver.
E viver o que a maioria não teve coragem.
E ao olharem para trás e verem uma multidão parada no fim do asfalto podem pensar que apesar de tudo valeu a pena seguir em frente.

Promessas Vazias


O que me assusta não é a falta de promessas.
O que me assusta é ouvi-las e logo depois vê-las sendo descumpridas.
Não entendo como as palavras podem ser tão vazias se para mim possuem uma infinidade de significados.
Para mim palavras possuem pesos e correntes que nos prendem os calcanhares e nos acompanham para onde quer que vamos. Para não esquecermos o que falamos.
Ficam ali como uma lembrança constante do que prometemos.
Respeito as palavras e acho que é por isso que me indigna tanto vê-las sendo desperdiçadas por aí.
Penso que aqueles não conhecem seus pesos não deveriam pronunciá-las, pois eles podem até se fingir de cegos.
Mas eu posso vê-los acorrentados a elas.

Futuro

Nós escolhemos nosso futuro.
Nós o planejamos e viajamos por ele antes mesmo que aconteça.
Mas ele nem sempre nos reserva muitas surpresas.
Tenho medo dele, pois o imaginei de mil formas e hoje me vejo nem lugar totalmente diferente.
E o tempo continua passando, nos lembrando que daqui a pouco já será depois.
Que as decisões precisam ser tomadas e as lições aprendidas.
Que é preciso crescer e ir sempre em frente sem olhar para trás.
 Que a realidade não é igual ao sonho e que ela não espera por ninguém.
Que não vou poder levar tudo e todos comigo para onde for.
E que por mais que eu tenha medo, e não queira, o futuro desabrochará como uma flor.
                                                       

Escrever


Em alguns momentos não existem pessoas disponíveis para te ouvir e nem palavras suficientes para serem ditas.
 Momentos de solidão onde só se tem a si mesmo.
São em momentos assim que escrevo. São neles que a boca se cala para que a caneta fale tudo que quero dizer sem que mais ninguém ouça.
Percebo que é por isso que estar só me faz bem porque tenho em mim também o ouvinte quando releio o que escrevi.
Sou as palavras duras e depois a calma.
Sou a dor e depois o alívio.
 Sou quem vive e depois quem assiste.
Sou quem escreve e depois critica.
Escrevo porque não preciso de platéia.
Eu mesma conto e aprecio minha própria história.

Começando do Fim


O fim não passa de um novo começo.
É a chance de recomeçar e de fazer acontecer diferente.
Ou de prestar mais atenção e consertar erros.
De acender a saudade e ressuscitar desejos.
O fim não é o vazio, e sim muitas coisas novas e inexplicáveis que estão esperando para acontecer.
Talvez a perda não nos deixe ver que o fim no fundo não é o ponto final ou o último capítulo do livro.
O fim é só mais uma oportunidade para ver que o comodismo não estava nos deixando alcançar o novo e que havia nos parado.
Vejo o fim como algo muitas vezes necessário para que possamos sair da estagnação.
Vem como um choque capaz de fazer bater novamente o coração que havia parado.
E ressuscitá-lo.

Românticos


Os românticos andam meio sumidos.
Homens não podem mais chorar, nem sentir. Porque não podem mais serem tachados de sensíveis.
Mulheres precisam se mostrar fortes e decididas. Não podendo assim se mostrarem vulneráveis diante de palavras doces e letras compostas em sua inspiração.
O mundo moderno virou um hospício onde o tipo de louco solitário é a maioria.
Se é assim, o romantismo foi nos deixando.
Ele morreu de fome!
Precisava ser alimentado com a recíproca, com olhares e sorrisos apaixonados. E por não recebê-los tornou-se tão raquítico que não pôde suportar.
Num mundo de solidão, onde cada um resolveu trilhar seu caminho, é difícil demonstrar qualquer tipo de fraqueza.
Por isso quando nasce um novo romântico logo é morto, pois é sufocado lentamente pela indiferença do outro.